Hip-Hop - HIT STYLE

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"Ainda que eu ande pelo vale
da sombra da morte, não temerei
mal nenhum, porque o senhor
está comigo." (Salmo 23.4)
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A História do “Hip-Hop”

Na década de 60, proliferou-se uma grande discussão sobre direitos humanos e, nesta ordem dos fatos, os marginalizados da sociedade de Nova York se articularam para fazer valer suas propostas na eliminação das suas inquietações. Assim surgiram grandes líderes negros, como Martin Luther King e Malcom X, e grupos que lutavam pelos direitos humanos como os Panteras Negras (Black Panthers).
Enquanto isso na Jamaica, surgiram os ‘Sound Systems’, que eram colocados nas ruas dos guetos jamaicanos para animar bailes. Esses bailes serviam de fundo para o discurso dos ‘Toasters’, autênticos MC’s (Mestres de Cerimônia) que comentavam, com uma espécie de canto falado, assuntos como a violência das favelas de Kingston e a situação política da Jamaica, sem deixar de falar, é claro, de temas como sexo e drogas. No final da década de 60, muitos jovens jamaicanos foram obrigados a emigrar para os Estados Unidos, devido a uma crise econômica e social que se abateu sobre a ilha. E um deles em especial, o DJ jamaicano Kool Herc, introduziu nos bailes da periferia de Nova York a tradição dos ‘Sound Systems’ e do canto falado. Inspirando vários DJ’s (Disc Jóqueis) americanos, entre eles o DJ Grand Master Flash, inventor do scratch, cuja invenção sofisticou o canto falado.
Surgiram os MC’s (Mestres de Cerimônia) e os Rappers, que construíam discursos indignados, raivosos, cheios de referências a conflitos raciais e sociais. Eram vozes herdeiras da radicalidade dos Panteras Negras (Black Panthers), que juntando-se a bases sonoras dançantes e efeitos como o scratch criaram o RAP (sigla de Rythm And Poetry, ou Ritmo e Poesia, em português) que eram compostos por uma base musical dançante acompanhado de rimas faladas que seguiam o ritmo.
O Break era uma dança inventada pelos porto-riquenhos, através da qual expressavam sua
insatisfação com a política e a guerra do Vietnã. Tinha inspiração,
entre outras coisas, em movimentos de artes marciais, como o Kung Fu. O
Break se alastrou junto com as gangues de Nova York, que por volta do
final da década de 60, respondia à opressão social com violência brutal. Era comum o confronto armado.
Por tradição norte-americana os grupos étnicos não se misturavam, daí tínhamos gangues de hispânicos e gangues de negros. Cada uma tinha seu código de grupo, o chamado TAG (assinatura dos grafiteiros), e demarcavam os territórios com Grafites nos muros dos bairros de Nova York. Contudo nos momentos de descontração, essas gangues dançavam o Break.
O Movimento Hip Hop é um movimento social que foi criado pelas Equipes de Bailes norte-americanas, por volta de 1968, com o objetivo de apaziguar as brigas dos jovens negros e hispânicos agrupados em gangues. Seu nome tem origem nas palavras Hip (quadril, em inglês) e Hop (saltar, em inglês). Logo, a expressão Hip Hop (saltar balançando o quadril) se referia ao Break, a dança mais popular da época. As Equipes organizavam Bailes e Festas de Quarteirões nas ruas, nos ginásios e nos colégios, incentivando os jovens a dançarem o Break ao invés de brigarem entre si. As Equipes também incentivavam o Grafite como forma de arte e não apenas como uma forma de marcar territórios. A mais famosa dessas Equipes foi a Universal Zulu Nation, que tinha como líder o DJ Afrika Bambaataa, reconhecido como fundador oficial do Hip-Hop.
Afrika Bambaataa nasceu e foi criado no Bronx e, quando jovem, fazia parte de uma gangue chamada Black Spades (Espadas Negras, em português), mas viu que as brigas entre as gangues não levariam a lugar nenhum. Muitos dos membros originais da Zulu Nation também faziam parte da Black Spades, que era uma das maiores e mais temidas gangues de Nova York. Bambaataa se utilizou de muitas gravações já existentes de diferentes tipos de música para criar Raps. Usando sons, que iam desde James Brown (o mestre da Soul Music) até o som eletrônico da música “Trans-Europe Express” (da banda européia Kraftwerk), e misturando ao canto falado trazido pelo DJ jamaicano Kool Herc, Bambaataa criou a música “Planet Rock”, que hoje é um clássico. Bambaataa também foi um dos líderes do Movimento Libertem James Brown, criado quando o mestre da Soul Music estava preso e, anos depois, foi o primeiro ‘Hip-Hopper’ a trabalhar com James Brown, gravando “Peace, Love & Unity”.
Além disso, a Zulu Nation organizava palestras chamadas de ‘Infinity Lessons’(Aulas Infinitas, em bom português), que eram aulas sobre conhecimentos, prevenção de doenças, matemática, ciências, economia, entre outras coisas e que serviam para modificar os pensamentos das gangues. Segundo seu próprio líder, Afrika Bambaataa, a Zulu Nation apóia o conhecimento, a sabedoria, a compreensão, a liberdade, a justiça, a igualdade, a paz, a união, o amor, a diversão, o trabalho, a fé e as maravilhas de Deus. Essa verdadeira ‘Nação’ também viajou por todo o mundo para pregar a boa palavra do Hip-Hop, fazendo muitos shows e arrecadando fundos para campanhas Anti-Apartheid (Anti-Racista) e chegou a reunir 10.000 membros em todo o mundo. Segundo a Zulu Nation, no espaço descontraído da rua era, e ainda é, possível manifestar opiniões e se divertir. Os jovens excluídos, no contato com seus iguais (o grupo), podiam sentir e vivenciar a rara oportunidade da livre-expressão através da arte, sem repressão.


A História do “Hip-Hop” no Brasil


Cerca de dez anos após sua fundação, o Hip-Hop chegou ao Brasil. Chegou primeiro a São Paulo, onde foi adotado como estilo de vida por milhares de jovens da periferia. Os mesmos jovens que freqüentavam os Bailes de Black Music, que ouviam James Brown e que usavam o penteado Black Power, começavam a ter contato com a batida o Break e o Rap (a princípio chamado de ‘tagarela’), por intermédio das Equipes de Baile, das revistas e dos discos vendidos na Rua 24 de Maio (em São Paulo), surgindo assim os primeiros ‘Hip-Hoppers’ brasileiros. Os pioneiros do movimento, que inicialmente dançavam o Break, foram Nelson Triunfo, depois Thaíde & DJ Hum, MC/DJ Jack, Os Metralhas, Jabaquara Breakers, Os Gêmeos e muitos outros. Eles dançavam na Rua 24 de Maio, mas foram perseguidos por lojistas e policiais e depois foram para a Estação São Bento do Metrô e lá se fixaram. Reunindo-se nos finais de semana na Estação São Bento, aqueles jovens pobres vindos dos lugares mais distantes e menos favorecidos da cidade se encontravam. Durante a semana eram subempregados, camelôs, office-boys, feirantes, vendedores. Ali eram artistas de rua, dançavam Break, conversavam, ouviam Raps e consumiam todo material relativo ao movimento. Houve um período de divisão entre os breakers e os rappers, os primeiros continuaram na São Bento, os outros foram para a Praça Roosevelt.
Em 1988 foi lançado o primeiro registro fonográfico de Rap Nacional, a coletânea “Hip-Hop – Cultura de Rua” pela gravadora Eldorado. Desta coletânea participaram Thaíde & DJ Hum, MC/DJ Jack, Código 13 e outros grupos iniciantes. Nesse período de ascensão do Rap, a capital paulista passou a ser governada por uma prefeitura que muito auxiliou na divulgação do Movimento Hip-Hop e na organização dos grupos. Por esse motivo foi criado em agosto de 1989 o MH2O – Movimento Hip-Hop Organizado, por iniciativa e sugestão de Milton Salles, produtor do grupo Racionais MC's até 1995. O MH2O organizou e dividiu o movimento no Brasil em dois grupos: as Gangues de Break e as Posses, definindo suas respectivas funções. Nesse trabalho de divulgação do Hip-Hop e organização de oficinas culturais para profissionalização dos novos integrantes, não podemos esquecer de citar a participação do músico de reggae Toninho Crespo. Este trabalho teve sua continuidade no município de Diadema com o profissionalismo de Sueli Chan (membro do MNU - Movimento Negro Unificado). Outra pessoa que foi muito importante na divulgação do Hip-Hop no Brasil foi Armando Martins com o seu programa Projeto Rap Brasil, que lançou vários grupos de Rap durante os anos em que esteve no ar.
As Posses, para quem não sabe, são grupos de encontro que congregam Rappers, Grafiteiros e Breakers de uma mesma região. Eles trabalhavam juntos em atividades artísticas, de ação comunitária, de formação política. Colaboravam uns com os outros para aperfeiçoar a atuação dos grupos através da troca de experiências e informações e atuavam em seus próprios bairros através de shows e de cooptação de jovens envolvidos com drogas e o crime para o trabalho no movimento, levando-os a abandonar o vício. Também participavam de eventos promovidos por entidades de movimentos negros, sindicatos, partidos políticos, palestras e apresentações teatrais. Essa estrutura das posses sobrevive ainda hoje, sendo reproduzida por ‘Hip-Hoppers’ de outros estados, como é o caso do Movimento Hip-Hop Bahia que, através da posse ORI (que significa cabeça ou inteligência em ‘yorubá’), realiza algumas dessas atividades, além de visitas a comunidades, atuações em eventos ligados à luta pelos Direitos Humanos, oficinas internas e palestras,entre outras atividades. Outro exemplo é a UNEGRO – União de Negros pela Igualdade, os jovens podem ter acesso a um instrumental teórico e organizacional. Este material otimiza tanto a criação, através do acesso a informações, como o engajamento político, além da reprodução de estratégias de consolidação e expansão dos ideais do Movimento Hip-Hop, principalmente o combate ao racismo.
Os Rappers nacionais se colocam como relatores de um Brasil fortemente desigual, com instâncias rígidas,com poucas possibilidades de intercâmbio e mobilidade, em contraponto a imagem de ‘país libertário e malandro’. Denunciam as chacinas e homicídios, colocam no imaginário nacional ‘as milhares de casas amontoadas’. Os shows beneficentes são a contribuição dos Rappers que melhor expressa sua identidade. Exibem-se para comunidades carentes, nas ruas, em passeatas, mostrando a dança e a fala que construíram juntos. Pouco escolarizados, mas articulados, os Rappers ingerem o lixo urbano e devolvem sementes de revolução e transformações individuais e coletivas através dos versos ‘violentamente pacíficos’, mostrando ‘o que a novela não diz’.
Os Estados Unidos, país marcado pelos constantes conflitos raciais, não poderia deixar ausente da sua história social, a atuação incisiva da juventude negra, repugnando o seu sistema opressor e severamente segregacionista. Há que se registrar, porém, que no Brasil, a realidade das relações raciais não é muito distante da norte-americana, apenas diferente, em decorrência do próprio processo histórico em que se deu a formação do povo brasileiro. Sobre isto, podemos salientar que, embora exalte modelos e valores norte-americanos, fruto também do processo de globalização, a cultura Hip-Hop continua apresentando características locais. Muitas Bandas de Rap têm utilizado elementos musicais tipicamente brasileiros em sua bases, além das letras serem inteiramente resultado de experiências locais e refletirem, com muito mais propriedade, a realidade brasileira.


Fonte: http://www.fator4.kit.net/
>>>Pesquisa escrita por MIRO “Wolverine” com dados extraídos de:
1)      HomePage “O Movimento Hip-Hop”
    ( www.facom.ufba.br/serhurbano/hiphop/indice.html )
2)      HomePage “Universal Zulu Nation”
    ( www.hiphopcity.com/zulu_nation/index.shtml )
3)      Entrevista com Afrika Bambaataa na MTV

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